5 de abril de 2010

TEMAS PARA UM DEBATE PRÉ-CONCLAT!

A aproximação do CONCLAT abre a perspectiva de debates há algum tempo esquecidos pela esquerda brasileira.
A gênese da CUT se deu num momento de ascensão do movimento popular e sindical, o que por si só empurrou aquela central a posturas mais à esquerda e de confronto com patrões e governos. Some-se a isso a luta pela retomada da democracia e das eleições diretas, que aglutinava diversos setores, independente de matizes ideológicos.
Os anos de sindicalismo atrelado ao Estado sedimentaram propostas para um sindicalismo independente, classista e de luta. O fim do imposto sindical, a organização por local de trabalho, o fim do presidencialismo e estruturação por ramo de atividade, foram alguns temas debatidos à época e “esquecidos” com a progressiva tomada dos sindicatos pela oposição cutista e conseqüente assimilação de métodos e estruturas burocratizadas por essa central.
Num momento de defensiva dos trabalhadores na luta de classes, com o governo com altíssimos níveis de aceitação popular se faz necessário mais que nunca repensar as ferramentas para retomada ofensiva da luta. Estruturas burocráticas só contribuem para a perpetuação do peleguismo e neopeleguismo no movimento sindical e popular e conseqüente travamento da luta.
O sindicato é uma escola para os trabalhadores, pode contribuir para elevá-los a uma concepção classista e revolucionária ou mantê-lo no corporativismo. Uma estrutura sindical que coloque nas mãos dos trabalhadores o rumo de seu sindicato é fator fundamental para o aprendizado socialista.
A iminência de fundação de uma nova Central propicia o rompimento de práticas e estruturas e impulsiona para a retomada do verdadeiro NOVO SINDICALISMO, outrora cantado em verso e prosa e convenientemente abandonado pela atual casta sindical.

BOTAFOGUENSES, TEMOS COM O QUE NOS PREOCUPAR!

O espetáculo que pouco mais de 1300 torcedores testemunhamos me deixou muitíssimo preocupado, não só por estarmos às vésperas das finais do Campeonato Carioca, mas por estarmos também às portas do Campeonato Brasileiro.
Como se já não bastasse o vexame diante o Santa Cruz, onde os titulares não demonstraram a mínima vontade de ganhar o jogo, ontem foi a vez dos reservas mostrarem o tédio diante de uma partida de futebol.
Jogadores que a torcida vem pedindo repetidas vezes deixaram muito a desejar. Diguinho, Cajá, Júnior, Edno, entre outros deixaram uma péssima impressão começando como titulares. Por incrível que pareça um dos melhores jogadores em campo foi o Alessandro.
Fábio Ferreira e Filipe Lima mostraram alguma qualidade. É muito pouco para um time de futebol que tem vivido às voltas com a Zona de Rebaixamento do Brasileirão e carece de títulos importantes.
Essa diretoria tem que se mexer imediatamente, pois pelo andar da carruagem sofreremos muito nesse 2010.

28 de março de 2010

SE EDUCADORES SOMOS, EDUQUEMOS POIS!

Muito me espanta, o espanto que causa à mídia burguesa manifestações protagonizadas por educadores em greve.
Desde o início do capitalismo que os trabalhadores lutam por melhorias das condições de trabalho e melhores salários.
Se há alguns anos professores não eram encarados como trabalhadores, o neoliberalismo enterrou os últimos vestígios do sacerdócio.
A mídia que ridiculariza e estereotipa o educador em suas novelas, que o trata como dispensável quando cria o “amigo da escola”, é a mesma que se ruboriza quando os proletarizados e pauperizados mestres atuam como trabalhadores/educadores que são. Trabalhadores conscientes exigem seus direitos, que normalmente só são conseguidos com lutas extremas. Educadores conscientes além de lutar por seus direitos educam com suas ações. Se queremos um mundo sem explorados, fraterno e solidário, socialista portanto, temos de lutar por ele.
Nesse sentido a luta dos educadores de São Paulo deve ser exaltada e apoiada por todos. Todos aqueles que vislumbram uma sociedade em que os trabalhadores não sejam distinguidos por suas funções no mundo do trabalho, mas sejam todos trabalhadores e educadores.

TRENS DO RIO: UMA REAÇÃO LEGÍTIMA DE QUEM SÓ É DESRESPEITADO!

“Muito se fala da violência das águas do rio que a tudo arrasta,
mas nada se diz das margens que as cerceiam.”
Bertold Brecht

Só quem nunca andou de trem, como vários jornalistas dO Globo, membros da justiça e da polícia do Rio de Janeiro, pode desconhecer o desrespeito e as péssimas condições em que viajam milhares de cariocas todos os dias nos trens suburbanos da antiga Central do Brasil e criminalizar uma atitude espontânea de resposta de uma massa já há muito “enlatada” nas precárias composições que “circulam” invariavelmente atrasados, quando não “quebram” ou avariam.
A pane ocorrida na quarta-feira, dia 24 em Saracuruna (de uma Baixada já tão relegada) foi somente o detonador de uma explosão entalada nas gargantas de quem já não agüenta mais se deslocar durante horas para vender sua força de trabalho tão longe e que além de todos os problemas, chegam até a ser espancados.
Só pessoas muito comprometidas com as privatizações e com o capitalismo mais reacionário poderiam vislumbrar uma atitude planejada dos passageiros nesse episódio. Incendiaram o trem usando desodorante, essa arma pirotécnica tão avançada.
Esse povo demonstrou o que é ser protagonista da história, reagiu a anos de desrespeito, cansado de ser tratado como gado.
A esses senhores que atacam os trabalhadores em seu legítimo direito de resposta aos desmandos da “Super”via eu sugiro que viagem só uma semana (não toda uma vida como os trabalhadores da Baixada e da Zona Oeste) nos horários de pico nos trens dessa empresa e depois relatem se não tiveram também a vontade de incendiá-los.

22 de março de 2010

VERGONHA!

É o que melhor traduz o que aconteceu ontem à noite no Engenhão.
O Botafogo talvez tenha feito sua melhor partida no ano. Aplicado na marcação, saindo rápido em contra-ataques perigosos e por isso mesmo poderia ter matado a partida em duas ou três oportunidades. Esbarrou na afobação e incompetência e na atuação do sempre melhor jogador daquele time, o árbitro.
A participação do senhor Wagner Nascimento foi decisiva para o resultado da partida.
No primeiro gol o juiz não marcou uma falta claríssima em cima do Caio, propiciando um contra-ataque daquele time, que culminou no empate. Logo após o gol ele interrompeu o jogo para a parada técnica, no segundo marcou uma falta inexistente, extrapolou o tempo de acréscimo que ele mesmo tinha estipulado. Dos três minutos iniciais acrescentou sem a mínima justificativa mais 2 ou 3 minutos.
Sem contar o medo que demonstrou quando os delinqüentes daquele time faziam faltas clamorosas, chutavam por trás os jogadores do Botafogo, socavam a cabeça dos nossos atletas e ele fingia que não via. Foi xingado por aquele protótipo de delinqüente que o Joel chamava pelo diminutivo e meteu o rabinho entre as pernas. Só o medo de represália dos traficantes pode justifica tal postura.
E por falar do jogo contra o império do mal, para um time que se vangloria de ter 35 milhões de torcedores, ficaram devendo.

19 de março de 2010

A DISPUTA PELOS ROYALTIES!

O capitalismo cria demandas e necessidades que em uma sociedade sem classes não existiriam. Cria também atritos e divergências inimagináveis em um mundo sem exploração. Vejamos o caso dos royalties do petróleo.
A indústria capitalista cria o conceito de royalty que teria como função reparar as administrações públicas por inconvenientes advindos da exploração desenfreada dos recursos naturais, como acontece, por exemplo com Macaé, que sofre com o inchaço em sua população numa cidade sem infra estrutura para atender seus próprios habitantes, multiplicando problemas como prostituição infantil, falta de saneamento básico, aumento da favelização, etc.
Acontece, que mesmo tendo acesso a essa indenização, cidades como essas continuam devendo condições dignas à sua população.
O governo do Estado reclama a perda de 7 bilhões de reais com a dita Emenda Ibsen, mas não explica para onde tem ido esse dinheiro todos esses anos. Em recente audiência pública da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, o SEPE-RJ demonstrou que mesmo sendo o 2º estado em arrecadação, o RJ é o 17º (entre 17 com dados disponíveis) quando o assunto é salário dos servidores.
As riquezas naturais pertencem aos trabalhadores e como tal, o petróleo deve servir para solucionar os problemas crônicos da população brasileira. Tudo que se arrecada com o petróleo deve ser apropriado por quem o extrai do subsolo e não pelos capitalistas “donos” das empresas diretamente ou pelo Estado que mantêm o poder da burguesia.
A discussão então não é se os royalties são do Rio de Janeiro ou não, mas e o petróleo é do povo que trabalha ou da burguesia sangue suga que se apropriou dos meios de produção.

15 de março de 2010

DOMINGO É DIA DE FUTEBOL!

Na várzea, a diversão e a confraternização estão garantidas. Os times de pelada fazem a festa dos que jogam e dos que assistem. Um antigo professor da Escola de Educação Física da UFRJ dizia que aprendia muito vendo uma simples pelada num campo de terra batida e eu concordo plenamente. Há também na várzea jogos mais competitivos, que em muitos casos elevam as rixas às vias de fato, mas a diversidade e democracia que se observa nesse esporte e que o fez preponderante em nosso país é o que o tem feito se perpetuar em todos os estratos sociais.
No futebol profissional a paixão centenária leva milhares aos estádios (é certo que o apetite tão voraz de dirigentes, rede globo, agentes, etc. têm arrefecido o ânimo dos torcedores) e à frente da TV.
Ontem, porém o futebol de domingo dividiu espaço na televisão com o “esporte” mais escroto e politicamente incorreto que pode existir. Enquanto na globo a Fórmula 1 fazia sua estréia em 2010, na Bandeirantes a estréia era da Fórmula Indy. Em ambas as fórmulas o número de competidores brasileiros é enorme, o que serve como chamariz aos incautos.
Procurando algo interessante na telinha (não tenho TV à cabo) me deparei na Bandeirantes com um emocionado Luciano do Vale quase chegar às lágrimas com o hino estadunidense. Aquilo me embrulhou o estômago, principalmente quando sabemos o quanto se queima de combustível fóssil nessa brincadeirinha de menininho rico filhinho de papai e o quanto se poderia fazer com o que é gasto nisso.
Onde está a graça em ver carros girando em uma pista, muitas das vezes sem que identifiquemos carros ou pilotos?
O que tem o futebol de viabilizador de encontros, trocas e confraternização tem a corrida de carro de enfadonha e segregadora. O que tem o futebol de democrático e propiciador do protagonismo tem a corrida de carro de elitista e alienadora.
Para o capitalismo, que nos quer consumistas ao extremo, que tem incutido nas mentes e corações dos brasileiros que todos devemos ter um carro, a despeito da poluição, das vias engarrafadas, da degradação do transporte de massas e coletivo e da pauperização das reservas energéticas naturais, nada mais à calhar que essa profusão de fórmulas bilionárias, que nada tem de esporte, diversão e nada a ver com o domingo.