4 de dezembro de 2010

A QUANTAS ANDA A EDUCAÇÃO NO RIO DE JANEIRO?

“Até pela minha formação, entendo a educação como um negócio.”
Com essas palavras tomou posse logo após as eleições o novo secretário estadual de educação do Rio de Janeiro, Wilson Risolia. Sua colega de pasta na capital, Claudia Costin, se notabilizou na reforma administrativa do governo FHC. Em comum entre os dois o fato de nenhum ter formação em magistério e nunca terem pisado uma sala de aula no ensino básico.
A ascenção de Collor ao governo em 1990 inaugurou no Brasil o que na década de 80 já se vislumbrava na Inglaterra e no Chile com a alcunha de neoliberalismo.
As incessantes crises de super produção do capitalismo impeliram as burguesias a novos mercados e a novas fontes de lucros. Se por um lado alardeavam aos quatro ventos que os estados não deveriam se imiscuir na produção, daí a privatização de grandes empresas estratégicas nos diversos países capitalistas (no Brasil: CSN, Vale do Rio Doce, Metrô, Light, etc.), por outro fizeram de serviços básicos como saúde e educação uma nova fonte de receita, seja através da diminuição de investimentos nessas áreas para aumentar o chamado superávit primário, seja na terceirização/privatização das escolas e hospitais ou ainda na venda de vagas nas escolas particulares para os governos.
Nossos dois secretários são legítimos representantes do que se convencionou chamar de neoliberalismo na educação.
Tanto nas unidades municipais quanto nas estaduais vicejam a terceirização e a precarização das relações trabalhistas.
Nas cozinhas das escolas municipais já não vemos a antiga merendeira, normalmente moradora da comunidade onde se localiza a escola, conhecedora de seus moradores e alunos, ligada afetiva, pedagógica e funcionalmente à unidade escolar. Diz a secretária que tal trabalhadora tem “vida útil de apenas seis anos”, portanto custa muito ao município. Aos novos gestores não interessa melhorar as condições de trabalho, diminuir a quantidade de refeições elaboradas por cada uma das merendeiras, equipar melhor as cozinhas. Melhor é trocá-las por trabalhadores da Comlurb (empresa de economia mista), o que além de transferir dinheiro público para a iniciativa privada, isenta a prefeitura de encargos trabalhistas e obrigações no caso de doenças do trabalho.
A limpeza das escolas estaduais já há muito não são desempenhadas por funcionários de carreira, empresas que ganham 2.000 reais por cada trabalhador, mas que os remuneram com o salário mínimo, são as “responsáveis” pela limpeza e manutenção da rede.
Os trabalhadores docentes nunca foram tão desvalorizados.
Violência, baixa remuneração, desrespeito à autonomia pedagógica, falta de democracia nas escolas, salas entupidas.
Seguindo à risca a “pedagogia da relação custo-benefício” ambas secretarias tocam a educação como empresas, os números valem mais que as pessoas. O alarde feito por conta do baixo IDEB produziu a demissão da antiga secretária estadual Teresa Porto.
O ranqueamento e a meritocracia produziram monstrengos como o Nova Escola na rede estadual e o 14º salário na municipal. Políticas remuneratórias que atacam a isonomia entre os profissionais da educação, instalando a disputa entre as escolas e mesmo dentro de uma própria escola, são reflexo de diretrizes estipuladas por organismos financeiros internacionais e seguidos à risca por todas as esferas de governo.
Pensam em números e esquecem as pessoas.
Tanto o governo estadual quanto o municipal do Rio de Janeiro (maior rede da América Latina), burlam a lei e não aplicam corretamente as verbais legais na educação. Tanto a Constituição Estadual quanto a Lei Orgânica Municipal determinam que 35% da arrecadação sejam carreados para a área, mas nem os 25 % mínimos determinados pela Constituição Federal são alocados corretamente. Em outubro, a 1ª Vara da Infância da Capital condenou a SME a devolver 2,2 Bilhões de reais de verbas desviadas da educação municipal.
Toda essa política neoliberal, tem produzido frutos.
De acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), do governo federal, o Estado do Rio de Janeiro só está à frente do Piauí, a rede municipal do Rio também mostra performance não condizente com o segundo maior PIB do Brasil.
A quantidade de analfabetos funcionais tem crescido alarmantemente nas duas redes, é impressionante a quantidade de estudantes que chegam ao ensino médio sem saber ler e com noções matemáticas compatíveis com crianças de 8 anos de idade.
Com o argumento de que a evasão e consequentemente a exclusão tem como principal tributária a reprovação, as redes tem dificultado a retenção, obrigando a promoção sem a apreensão dos requisitos básicos à série seguinte, o que em última instância exclui o aluno do conhecimento produzido historicamente pela humanidade.
A falta de profissionais nas redes também são pústulas abertas na carne da educação pública básica. Na rede estadual cerca de 600 professores abandonam as salas de aula a cada mês. No município estima-se uma carência de 12 mil professores.
A solução escolhida pelas duas redes é a mesma, diminuem o tempo de permanência do aluno em sala de aula. Ao invés de 6 aulas diárias, o segundo segmento do ensino fundamental (antigo ginásio- 5ª à 8ª série), conta agora com 5 aulas. Numa conta aproximada roubam 200 aulas anuais de nossos alunos e filhos. O Colégio Pedro II, só para que tenhamos uma noção, além de sua reconhecida excelência no ensino, tem em sua grade curricular, 6 aulas diárias, inclusive aos sábados.
A gestão democrática tão apregoada nos últimos anos é letra morta na legislação.
Na rede estadual a escolha do diretor é feita pelo deputado da base governista do “curral eleitoral” onde se encontra a escola.
Na rede municipal existe a consulta à comunidade, nem sempre respeitada pelo governo. Cria-se tanto empecilho à candidatura, o que somado as múltiplas atribuições do cargo (o diretor de uma escola municipal quase nunca se imiscui nos assuntos pedagógicos) que muitos professores desistem do pleito. As direções perpetuam-se nas escolas.
A falta de continuidade dos projetos pedagógicos é outro câncer na vida das redes, na rede municipal nem a própria secretaria sabe quantos projetos estão em curso, todos porém tem as mesmas características, repasse de verbas públicas para ONGs e empresas privadas, precarização da mão-de-obra docente, escamoteamento da falta de profissionais de educação e todos vem sabe-se lá de onde, pois nenhum passa pela discussão da categoria e/ou da comunidade. A última jóia produzida pela secretaria é o Ginásio Carioca, que estipula que professores de matemática dêem aulas de ciências e os de história de língua portuguesa.
Como podemos ver, o neoliberalismo impõe aos filhos dos trabalhadores uma escola de péssima qualidade, nega-lhes as ferramentas que lhes possibilitarão a autonomia e a inserção no mundo do trabalho com conhecimento propedêutico e técnico para que se imponham à ideologia da classe dominante, pois não tem o acesso aos rudimentos da produção científica e cultural da humanidade.

5 de novembro de 2010

Documentário dos 30 anos do Mundialito do Uruguai! Futebol e política!

Este documentário relaciona a realização do Mundialito de 80 no Uruguai com a ditadura existente naquele país. Uma atitude da FIFA (à época presidida pelo brasileiro João Havelange)para ajudar na consolidação do regime.
Mais uma argumentação que tenta demonstrar que o futebol não é e nunca foi apolítico ou isento de ideologias. Não é só um jogo ou esporte!
http://www.youtube.com/watch?v=3J0h7SRtKqA&feature=player_embedded

25 de outubro de 2010

Palestra sobre ASSÉDIO MORAL no SEPE ANGRA!

Ao longo dos últimos anos temos visto nossa categoria adoecer de diversos males.
Temos visto cada dia mais e com mais frequência nós e nossos colegas darem entrada na Perícia Médica com os mais variados problemas de saúde. Muitos de nós tremem e se desesperam só em pensar em ir para a escola.
Uma de nossas mais peculiares afecções é a Síndrome de Bornout, podemos dizer que se trata de uma enfermidade do magistério. Muitas de suas causas são provenientes das péssimas condições de trabalho a que estamos submetidos.
O ASSÉDIO MORAL talvez seja o mais incisivo dos motivos de contração dessa Síndrome que tem levado muitos de nós aos consultórios e às licenças médicas.
O ASSÉDIO MORAL é caracterizado pelo constrangimento, humilhação e desrespeito sofrido pelo servidor em seu local de trabalho e é caracterizado como crime pela lei estadual nº 3921 de 23 de Agosto de 2002, podendo levar o infrator à demissão.
Muitos de nós, por desconhecimento ou receio de represálias ainda nos omitimos de denúncia desse grave crime contra nossa categoria e deixamos impunes chefias que há muito deveriam estar sendo punidas por atitudes que nos adoecem e por vezes matam.
Temos recebido diversas denúncias de ASSÉDIO MORAL em nosso município e não podemos nos furtar a tratá-las com a devida seriedade que merece. Nesse sentido estamos convidando a categoria para que no dia 11 de Novembro de 2010 esteja discutindo conosco em Palestra às 19 horas no Colégio Estadual Nazira Salomão o que é e como nos confrontamos com o ASSÉDIO MORAL, que tem grassado em nossas escolas e tem tido um terreno fértil nessa época de neoliberalismo.

24 de outubro de 2010

SÍ, SE PUEDE!

A 31ª rodada do brasileirão não poderia ser melhor para o Botafogo!
Esse pode ser definido como o campeonato que ninguém quer levar. Parece filho feio, todos rejeitam. Fica passeando de colo em colo mas ninguém o registra.
Apenas 6 pontos nos separam do lider fru-fru. Temos adversários teoricamente mais frágeis que nossos oponentes diretos pelo título. Título sim!
O que tem levado o Bota a patinar nesse e em outros campeonatos é o pensamento pequeno. PODEMOS SER CAMPEÕES E FAZEMOS CONTAS PARA A LIBERTADORES!
Temos que vencer os dois atléticos nas próximas rodadas para encostarmos de vez na frente! Apesar dos desfalques consideráveis temos time pra brigar pelo título!Já apostei uma caixa de cerveja com um muquirana tricolete que o título é nosso! Pra cima deles Fogão!

20 de outubro de 2010

HELOISA HELENA DEIXA PRESIDÊNCIA DO PSOL!

Comunicado de Afastamento da Presidência Nacional do PSOL



1. Agradeço a solidariedade de muitos diante da minha derrota ao Senado (escrevo na primeira pessoa pois sei, como em outras guerras ao longo da história já foi dito "A vitória tem muitos pais e mães, a derrota é orfã!").

Registro que enfrentei o mais sórdido conluio entre os que vivem nos esgotos do Palácio do Planalto - ostentando vulgarmente riquezas roubadas e poder - e a podridão criminosa da política alagoana. Sobre esse doloroso processo só me resta ostentar orgulhosamente as cicatrizes, os belos sinais sagrados dos que estiveram no campo de batalha sem conluio, sem covardia, sem rendição!



2. Comunico à Direção Nacional e Militância do PSOL a minha decisão de formalizar o que de fato já é uma realidade há meses, diante das alterações estatutárias promovidas pela maioria do DN me afastando das atribuições da Presidência. Como é de conhecimento de todas(os) fui eleita no II Congresso Nacional por uma Chapa Minoritária, composta majoritariamente pelo MES e Poder Popular (MTL), em um momento da vida partidária extremamente tumultuado que mais parecia a velha e cruel opção metodológica das lutas internas pelo aparato diante dos escombros de miserabilidade e indigência da nossa Classe Trabalhadora. Daí em diante o aprofundamento da desprezível carnificina política foi ora transparente ora dissimulado mas absolutamente claro!

Assim sendo, em respeito à nossa Militância e aos muitos Dirigentes que tanto admiro e por total falta de identidade com as posições assumidas nos últimos meses pela maioria das Instâncias Nacionais (culminando com o apoio a Candidatura de Dilma!) tenho clareza que melhor será para a organização e estruturação do Partido o meu afastamento e a minha permanência como Militante Fundadora do PSOL, sempre à disposição das nobres tarefas de organização das lutas do nosso querido povo brasileiro! Avante Camaradas!



Maceió, 19 de Outubro de 2010

Heloísa Helena
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1 de outubro de 2010

BOTAFOGO É CAMPEÃO EM CIMA DOS MULAMBO!

http://video.msn.com/?mkt=pt-br&playlist=videoByUuids:uuids:5e1fc365-af68-42e2-97bb-a7cd117a83e1&showPlaylist=true&from=IV2_pt-br_lancenet&fg=lancenet

28 de setembro de 2010

CAOS NA EDUCAÇÃO ESTADUAL! QUEM É O PAI DA CRIANÇA?

Recentemente a imprensa noticiou o mau desempenho do Estado do Rio de Janeiro no IDEB.
Esse índice, apesar de não ser um referencial confiável, visto que padronizado, distante das diversas realidades desse imenso país e imposto pelos órgãos financeiros internacionais, é para os governos um “termômetro” que indica a qualidade da educação básica no Brasil.
Para a população trabalhadora que tem seus filhos nas escolas estaduais e para os profissionais que nelas trabalham, a constatação da péssima qualidade do ensino já foi feita há muito tempo.
O SEPE-RJ (Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro) tem denunciado os diversos problemas por que passa a educação da rede estadual.
A falta de profissionais na rede talvez seja o mais grave dos problemas.
Entra ano sai ano e temos denunciado à população a carência crônica de professores, serventes, inspetores de alunos, merendeiras e todos os profissionais indispensáveis a uma educação de qualidade.
Às funções administrativas da rede há muito não é feito concurso público. Serventes fazem parte de uma categoria em extinção no Estado. “Cooperativas” são contratadas sem o mínimo de transparência. Para cada trabalhador dessas “cooperativas” o Estado paga à “cooperativa” 2.000 reais, mas o “cooperativado” recebe apenas um salário mínimo, os outros 1.500 reais vão para os donos dessas “cooperativas”, aliados políticos do governador e que lhe dão sustentação parlamentar na Assembleia Legislativa.
Os baixíssimos salários pagos aos professores afugentam quem se aventura ao magistério estadual. Por mês cerca de 600 desses profissionais deixam a rede, o que somado a falta de concurso público, faz com que alunos entrem e saiam da escola sem ter tido aula de diversas disciplinas, como matemática, física, química e história, as mais carentes.
A “solução” encontrada pelo governo foi diminuir a grade curricular do ensino fundamental, tirando um tempo de aula por dia dos alunos, que tinham 6 aulas diárias e agora têm 5. Numa conta aproximada, rouba 200 aulas anuais de nossos alunos e filhos.
Todos sabemos a importância que a informática tem no ensino e aprendizagem dos alunos. Apesar de alardear aos 4 ventos que tem informatizado as escolas, o governo na mesma época em que distribuiu computadores superfaturados aos professores da rede, fechou os pouquíssimos laboratórios de informática existentes na rede, retirando os professores Orientadores Tecnológicos desses laboratórios.
No início do ano instituiu o chamado Conexão Professor, que aparentemente informatiza o trabalho pedagógico, mas que na realidade serve para monitorar a vida de alunos e professores. Tomando mais um tempo precioso no já escasso período de aula dos alunos, com chamadas preenchidas no computador, assim como um trabalho extra para os professores, que estão sendo coagidos a lançar notas nos computadores. Tarefa que deveria ser desempenhada por secretários escolares, coisa rara no estado.
Coação, assédio moral, falta de democracia são uma constante no dia-a-dia das escolas estaduais.
A conquista da eleição direta para diretor das unidades escolares foi cassada pelo governo Garotinho e consumada por Sérgio Cabral. Alunos, professores, funcionários e comunidade podem votar para presidente da república, governador, deputados e senadores, mas para diretor de nossas escolas tem que ser apadrinhado de algum político da área. Na maioria das vezes são “capatazes” do governo na aplicação das políticas que têm levado a educação do Rio aos limites da indigência. Por isso dobraram a gratificação paga aos diretores.
Falta de merenda, falta de Rio Card aos alunos do 1º ano do ensino médio são mais alguns problemas enfrentados pela comunidade escolar e que fazem da escola estadual do Rio de Janeiro uma das piores do Brasil.