28 de março de 2010

TRENS DO RIO: UMA REAÇÃO LEGÍTIMA DE QUEM SÓ É DESRESPEITADO!

“Muito se fala da violência das águas do rio que a tudo arrasta,
mas nada se diz das margens que as cerceiam.”
Bertold Brecht

Só quem nunca andou de trem, como vários jornalistas dO Globo, membros da justiça e da polícia do Rio de Janeiro, pode desconhecer o desrespeito e as péssimas condições em que viajam milhares de cariocas todos os dias nos trens suburbanos da antiga Central do Brasil e criminalizar uma atitude espontânea de resposta de uma massa já há muito “enlatada” nas precárias composições que “circulam” invariavelmente atrasados, quando não “quebram” ou avariam.
A pane ocorrida na quarta-feira, dia 24 em Saracuruna (de uma Baixada já tão relegada) foi somente o detonador de uma explosão entalada nas gargantas de quem já não agüenta mais se deslocar durante horas para vender sua força de trabalho tão longe e que além de todos os problemas, chegam até a ser espancados.
Só pessoas muito comprometidas com as privatizações e com o capitalismo mais reacionário poderiam vislumbrar uma atitude planejada dos passageiros nesse episódio. Incendiaram o trem usando desodorante, essa arma pirotécnica tão avançada.
Esse povo demonstrou o que é ser protagonista da história, reagiu a anos de desrespeito, cansado de ser tratado como gado.
A esses senhores que atacam os trabalhadores em seu legítimo direito de resposta aos desmandos da “Super”via eu sugiro que viagem só uma semana (não toda uma vida como os trabalhadores da Baixada e da Zona Oeste) nos horários de pico nos trens dessa empresa e depois relatem se não tiveram também a vontade de incendiá-los.

22 de março de 2010

VERGONHA!

É o que melhor traduz o que aconteceu ontem à noite no Engenhão.
O Botafogo talvez tenha feito sua melhor partida no ano. Aplicado na marcação, saindo rápido em contra-ataques perigosos e por isso mesmo poderia ter matado a partida em duas ou três oportunidades. Esbarrou na afobação e incompetência e na atuação do sempre melhor jogador daquele time, o árbitro.
A participação do senhor Wagner Nascimento foi decisiva para o resultado da partida.
No primeiro gol o juiz não marcou uma falta claríssima em cima do Caio, propiciando um contra-ataque daquele time, que culminou no empate. Logo após o gol ele interrompeu o jogo para a parada técnica, no segundo marcou uma falta inexistente, extrapolou o tempo de acréscimo que ele mesmo tinha estipulado. Dos três minutos iniciais acrescentou sem a mínima justificativa mais 2 ou 3 minutos.
Sem contar o medo que demonstrou quando os delinqüentes daquele time faziam faltas clamorosas, chutavam por trás os jogadores do Botafogo, socavam a cabeça dos nossos atletas e ele fingia que não via. Foi xingado por aquele protótipo de delinqüente que o Joel chamava pelo diminutivo e meteu o rabinho entre as pernas. Só o medo de represália dos traficantes pode justifica tal postura.
E por falar do jogo contra o império do mal, para um time que se vangloria de ter 35 milhões de torcedores, ficaram devendo.

19 de março de 2010

A DISPUTA PELOS ROYALTIES!

O capitalismo cria demandas e necessidades que em uma sociedade sem classes não existiriam. Cria também atritos e divergências inimagináveis em um mundo sem exploração. Vejamos o caso dos royalties do petróleo.
A indústria capitalista cria o conceito de royalty que teria como função reparar as administrações públicas por inconvenientes advindos da exploração desenfreada dos recursos naturais, como acontece, por exemplo com Macaé, que sofre com o inchaço em sua população numa cidade sem infra estrutura para atender seus próprios habitantes, multiplicando problemas como prostituição infantil, falta de saneamento básico, aumento da favelização, etc.
Acontece, que mesmo tendo acesso a essa indenização, cidades como essas continuam devendo condições dignas à sua população.
O governo do Estado reclama a perda de 7 bilhões de reais com a dita Emenda Ibsen, mas não explica para onde tem ido esse dinheiro todos esses anos. Em recente audiência pública da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, o SEPE-RJ demonstrou que mesmo sendo o 2º estado em arrecadação, o RJ é o 17º (entre 17 com dados disponíveis) quando o assunto é salário dos servidores.
As riquezas naturais pertencem aos trabalhadores e como tal, o petróleo deve servir para solucionar os problemas crônicos da população brasileira. Tudo que se arrecada com o petróleo deve ser apropriado por quem o extrai do subsolo e não pelos capitalistas “donos” das empresas diretamente ou pelo Estado que mantêm o poder da burguesia.
A discussão então não é se os royalties são do Rio de Janeiro ou não, mas e o petróleo é do povo que trabalha ou da burguesia sangue suga que se apropriou dos meios de produção.

15 de março de 2010

DOMINGO É DIA DE FUTEBOL!

Na várzea, a diversão e a confraternização estão garantidas. Os times de pelada fazem a festa dos que jogam e dos que assistem. Um antigo professor da Escola de Educação Física da UFRJ dizia que aprendia muito vendo uma simples pelada num campo de terra batida e eu concordo plenamente. Há também na várzea jogos mais competitivos, que em muitos casos elevam as rixas às vias de fato, mas a diversidade e democracia que se observa nesse esporte e que o fez preponderante em nosso país é o que o tem feito se perpetuar em todos os estratos sociais.
No futebol profissional a paixão centenária leva milhares aos estádios (é certo que o apetite tão voraz de dirigentes, rede globo, agentes, etc. têm arrefecido o ânimo dos torcedores) e à frente da TV.
Ontem, porém o futebol de domingo dividiu espaço na televisão com o “esporte” mais escroto e politicamente incorreto que pode existir. Enquanto na globo a Fórmula 1 fazia sua estréia em 2010, na Bandeirantes a estréia era da Fórmula Indy. Em ambas as fórmulas o número de competidores brasileiros é enorme, o que serve como chamariz aos incautos.
Procurando algo interessante na telinha (não tenho TV à cabo) me deparei na Bandeirantes com um emocionado Luciano do Vale quase chegar às lágrimas com o hino estadunidense. Aquilo me embrulhou o estômago, principalmente quando sabemos o quanto se queima de combustível fóssil nessa brincadeirinha de menininho rico filhinho de papai e o quanto se poderia fazer com o que é gasto nisso.
Onde está a graça em ver carros girando em uma pista, muitas das vezes sem que identifiquemos carros ou pilotos?
O que tem o futebol de viabilizador de encontros, trocas e confraternização tem a corrida de carro de enfadonha e segregadora. O que tem o futebol de democrático e propiciador do protagonismo tem a corrida de carro de elitista e alienadora.
Para o capitalismo, que nos quer consumistas ao extremo, que tem incutido nas mentes e corações dos brasileiros que todos devemos ter um carro, a despeito da poluição, das vias engarrafadas, da degradação do transporte de massas e coletivo e da pauperização das reservas energéticas naturais, nada mais à calhar que essa profusão de fórmulas bilionárias, que nada tem de esporte, diversão e nada a ver com o domingo.

INFORMES DA REDE MUNICIPAL 15/03/10

Estaremos amanhã, 9 horas, na Câmara Municipal para conhecermos a nova Comissão de Educação da Câmara. O vereador Reimond não foi reeleito presidente, o cargo ficou com um tal de Claudinho do posto.
No dia 17/03 (Quarta-feira) haverá assembléia da rede municipal às 18 horas na ABI, na rua Araujo Porto Alegre, no Centro.
Nessa assembléia daremos o pontapé inicial à nossa campanha salarial, quando teremos os informes de nossas perdas salariais dos últimos anos, assim como a evolução da arrecadação municipal.
Discutiremos também a delicada situação pela qual passam as merendeiras da rede, sendo remanejadas aleatoriamente para que a SME aloje a COMLURB.
Discutiremos as estratégias de luta para a conquista do plano de carreira unificado para professores e funcionários.
Debateremos inclusive as “novidades” pedagógicas da prefeitura, como a adoção da cartilha Alfa e Beto, já tão combatida pela categoria em São Gonçalo.
Só a participação massiva da categoria poderá converter em vitória as nossas aspirações.

11 de março de 2010

POR UM TRANSPORTE DE QUALIDADE EM ANGRA!

Angra dos Reis é uma das cidades mais bonitas que já conheci. Praias belíssimas, arquitetura secular, uma das cidades mais antigas do país. Destino turístico dos mais procurados. Mas sofre com problemas crônicos que uma oligarquia burra e reacionária (desculpem a redundância) teima em não resolver.
A cidade recebe royalties da Usina Nuclear, arrecada com o turismo e com a indústria naval, mas relega sua população à indigência.
A maioria dos bairros, pra não dizer todos, não tem tratamento de esgoto, a indústria da água engarrafada progride, pois ninguém se arrisca a usar a água que sai da torneira. Mas o que me faz traçar essas linhas é o transporte coletivo.
O município conta para seus trajetos internos com apenas uma “empresa”, talvez o maior monopólio do estado, os ônibus invariavelmente estão lotados e atrasados, itinerários de poucos quilômetros consomem quase hora, quando não a ultrapassa.
Na sexta-feira, dia 05 à noite o martírio se repetiu para dezenas de usuários da linha Angra-Divisa Mangaratiba. Passageiros que esperavam desde 18:30 só conseguiram embarcar às 20:00 h. vários foram os que ligaram para a Bonfim (“empresa” que monopoliza o transporte coletivo) e não obtiveram nenhuma resposta do porquê do atraso. O despachante só informava que havia um congestionamento na Rio-Santos que atrasava a chegada dos carros ao centro de Angra. Mas como explicar todos os outros ônibus de outras linhas que chegavam ao ponto final?
A razão é simples. Como o próprio despachante falou, a quantidade de carros na linha é reduzida, pois o empresário mantém os passageiros reféns, só existe essa linha fazendo o trajeto.
Mas assim como o Metrô do Rio tem que estar nas mãos dos trabalhadores, o transporte coletivo de Angra dos Reis também tem que estar.
A população não pode assistir passiva aos desmandos do galego, têm que protestar. Exigir um transporte de qualidade. Muitos já mostraram como se faz.

PIADA COM O ÍNDIO!

A influência dos povos originários na cultura de nossa cidade é muito grande, o próprio termo carioca tem sua etimologia no tupi, querendo dizer “casa de homem branco”. Na música, na gastronomia, na preocupação com o asseio individual, entre outros aspectos culturais, guardamos muita identidade com os antigos habitantes de nossa terra. A despeito da indigência em que várias etnias se encontram atualmente, pelo menos em um aspecto os governos da cidade e do estado privilegiam o seu legado, ambos têm contrato com a ONG Cacique Cobra Coral, que presta “serviços” de prevenção de enchentes.
Parece piada, mas em pleno século 21, com avanços científicos e tecnológicos que podem prever chuvas com semanas de antecedência, nossos governantes apostem em meios tão heterodoxos (para ser eufêmico) para garantir que a cidade e o estado não sofram com as chuvas de verão, quando poderiam se preocupar em manter rios e lagoas limpos, coleta de lixo decente e mais freqüente, tratamento de esgoto adequado (sabe-se que só 4% do esgoto da Zona Oeste do Rio é tratado), manutenção da cobertura verde, freio à especulação imobiliária, etc.
Não me cabe aqui neste espaço fazer juízo de valor de religiões e crenças, mas é inconcebível que se recorra a tal expediente em se tratando de assunto tão grave e que tem levado à morte tantos cariocas e fluminenses todos os anos.